O que mais sempre ouvi durante toda a minha vida: “Porque
não dás um sorriso para a gente?”
Se
muitos são soubessem o que é sorrir de verdade, o que é ter aquela vontade de
sorrir com a alma, muitos nem sequer o fariam. Uma alma ferida, um corpo quebrado
e um coração magoado não vê no sorriso um propósito. Não vê exatamente nada.
Para quê sorrir se os nossos olhos não mostram a verdade?
Uma
pessoa que se habituou a sofrer por metade de uma vida não sabe sorrir sequer
com os olhos. O sorriso que agrada aos outros nunca foi o meu preferido, nunca
usei um assim. Nunca me importei em mostrar os dentinhos só porque ficava bem
no meu rostinho bonito. E não quero parecer arrogante ou convencida, é mesmo
porque estive sempre tão absorvida na minha dor, na minha raiva que o sorrir não
combinava mesmo nada comigo. Sorrir não fazia parte da minha lista quando
resolvi procurar ajuda, simplesmente apareceu à medida que me curava. E que
sorriso eu tenho!
Qual é o meu sorriso?
Eu gosto de pensar nele
como um sorriso raro, sincero e verdadeiro. Hoje é mais fácil para mim sorrir,
ainda doi, mas ele cá está.
O sorriso exige de nós
uma força que não temos. Demanda que seja verdadeiro, que mostre quem somos de
verdade. E quem somos de verdade muitas vezes faz com que os outros se
apercebam da profundidade das nossas feridas. É como se o sangue começasse a
escorrer cada vez que a curva do sorriso aparecesse no rosto.
Eu sentia-me assim, rejeitada
e humilhada. Eu sentia-me suja na sociedade. Nunca sabia o que fazer, o que
dizer e até mesmo estar apenas com alguém.
O sorriso hoje em dia é
tão banal que nunca sabemos quando é dado de verdade. Só quando estabeleces uma
ligação com alguém é que entendes a personalidade desse sorriso. É algo nosso,
é íntimo.
O meu vem de dentro,
transborda a verdade. Ele vem da alma e toca o meu coração. É dos melhores
momentos que tenho durante o dia, e adoro!
Eu comecei a sorrir faz
muito pouco tempo, mas tudo há minha volta ganhou mais cor por isso. Ao descobrir
a minha identidade, ao encontrar-me a mim própria encontrei o meu sorriso.
Se o sorriso vale a pena?
Sem dúvida que sim. Mas vai um conselho? Encontra o teu por ti, e só por ti. Nunca
o faças por ninguém, não te moldes por ninguém. O que vem de dentro toca-te a
ti e aos outros. Tudo o que for dado de verdade, tudo o que for sentido cá
dentro, transborda no sorriso e todos vão querer aprender a sorrir. E vai ser aí
que vais inspirar mais pessoas a procurar a cura para as feridas profundas. Aquelas
feridas que teimam em sangrar mesmo depois de tantos anos.
O sorriso vale a pena,
mas apenas quando é de verdade.