domingo, 19 de outubro de 2025

A Pérola

 


Existe uma pérola no fundo do mar,
Entre marés e tempestades ela vai ficando sem ar,
Há quem diga que quando este poema acabar
Ela vai morrer sem um dia saber amar.
 
Mas se existe mesmo uma pérola no fundo do mar,
Então como faz ela para poder respirar?
Eu não sei por onde procurar nem como nadar,
Apenas sei sonhar em um dia a encontrar.
 
Eu sei de uma fábula que terá sido escrita ao luar
Para aqueles em busca da pérola do fundo do mar,
Se um dia, a lenda secreta, alguém a decifrar
Poderá contar fortunas em ouros sem parar.
 
Lá vai o marinheiro capaz de se afundar em lágrimas,
Ganancioso como a areia que engole bichos em chamas,
Por um tesouro que reside em sonhos e peixes sem escamas,
Pois não existe tesouros nem camas feitas de palhas queimadas.
 
Se isto fosse verdade, não seriam tesouros nem fortunas apalavradas,
Nenhuma pérola se esconde no fundo mar em lágrimas perdidas.
Não existe marinheiro nem senhor de almas esquecidas,
Pois seremos todos condenados pelas algas podres enriquecidas.
 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Um café da minha máquina nespresso

 

Eu nem sei por onde começar. Foram 39 semanas de gravidez, seguido de tentativas de parto normal falhadas e acabou com uma cesariana de urgência.

Sabem aqueles filmes em que ela toda linda, puxa por dois ou três minutos e bum, temos bebé? Pois, não foi nada assim. Nada é como nos filmes, absolutamente nada.

Eu sofri, mesmo com epidural, que não fez o seu trabalho como devia, ainda puxei por mais de três horas sem um fim a vista. Quando finalmente viram que estava exausta, decidiram que a cesariana era a melhor solução. O bebé estava numa posição complicada, então nunca seria possível um parto normal.

Foi uma gravidez desejada com efeitos secundários dolorosos.

Devido a problemas de tensões, fiquei em repouso logo de início. Tudo bem, acontece.

Foram semanas sem saber o que fazer, uma simples caminhada tornava-se num pesadelo ao fim do dia. Acabei em risco de parto prematuro. As 39 semanas, eles decidiram que não podia esperar mais e arriscaram com a provocação do parto. No fim, todo o sofrimento compensou.

O Matias nasceu a 25 de setembro, as 5:29 da madrugada. 49cm e 2,970kg.

Perfeitinho, saudável e lindo.

Não é por ser meu, mas é um bebé tão lindo que derrete qualquer pessoa.

Logo no primeiro mês de vida percebi que vai ter um caracter forte, é o que faz ter um pai e uma mãe de personalidades complicadas. Vem aí um guerreiro!

Estas noites sem dormir, estas refeições não acabadas e o meu cabelo bagunçado, são apenas parte de algo que nunca pensei que fosse adorar. O meu mundo está neste ser pequenino tão doce que nem me imagino noutra vida.

Basta um sorriso, e eu fico completamente K.O.

 Esta experiência de ser mãe pela primeira vez é como se perdesse tudo, mas ao mesmo tempo ganhei algo que nunca pensei ter. Eu tenho o mundo nos meus braços.

Todo aquele tempo para mim, as minhas horas de sono perdidas e aquele silêncio na casa que já não existe mais, não me incomoda nem um pouco. Claro que, sair para jantar e relaxar um pouco fazem-me falta. Mas não podemos ter tudo certo?

Por um lado, o que me faz falta por vezes deixa-me frustrada, mas por outro, quero lá saber!

No fim, somos as supermães que nunca tivemos e as mulheres que suportam tudo de cabeça erguida.

 

 Ainda assim, incompreendidas pela sociedade.

 

Temos um papel a desempenhar, nada mais. É surpreendente, como nos tempos em que vivemos ainda existem mentes pequeninas que vêm a mulher ainda sem voto. A mulher trabalha, cuida da casa, cozinha e educa os filhos. O marido, trabalha, acima disso trabalha mais um pouco e no fim vai relaxar mais os amigos.

Quando é que nós, mulheres e mães, podemos relaxar com as amigas até as 2h da manhã despreocupadas com quem precisa de nós? Porque, até que podemos, nada nos impede. Mas ninguém conhece os nossos filhos tão bem como nós. E deixá-los assim, mesmo que por algumas horas, é sentir que temos o coração nas mãos.

E ainda me dizem: é tão difícil ser homem!

Sim, também é verdade. O homem nasceu na sociedade como aquele que sustenta casa, que financeiramente arranja solução para tudo e vive com o peso nas costas de que, se a casa não se mantém, então temos um falhado á vista.

Perder a masculinidade não deve ser fácil, mas isso não é desculpa para diminuir o papel da mulher.

Porque a gente faz o que nos compete e ainda ficamos em casa a espera de quem nunca chega. Para no fim ouvirmos que quem trabalha muito merece relaxar nem que seja por meia hora.

Onde está o nosso tempo de relaxar então? Está naquele minuto em que podemos ir a casa de banho? Está naquela pausa de dois minutos em que podemos tomar um cafezinho da nossa máquina Nespresso? Ou quando ele finalmente adormece e podemos ler um pouco daquele capítulo daquele romance que ainda vai a meio e, por razoes que só a nós compete, nunca teremos oportunidade de acabar porque o cansaço é mais forte e adormecemos para no dia seguinte repetirmos tudo de novo?

Não, longe de mim questionar a liberdade e o esforço masculino desta sociedade tão pequena!

Podíamos ser grandes, e não valemos nenhum!

domingo, 24 de março de 2024

Quantas formas existem de quebrar uma pessoa?

 

De quantas formas, de quantas maneiras e qual o limite de quebrar uma pessoa?

De alguém que já passou por tudo e mais alguma coisa, costumo pensar que já não há nada que me possam fazer para me despedaçar mais ainda.

Desde os que me fizeram mal por maldade até aqueles que supostamente nunca deveriam meter-me numa posição que não merecia.

Porque quem te faz mal, não pensa nas consequências nem no sofrimento que te causa. Somos todos egoístas, uma verdade que até a mim custa encarar.

A vida é um círculo. Tudo o que vai, volta. Quem planta, colhe. E muitas vezes colhe o dobro do mal que fez.

E depois de tudo, quem fica para fazer terapias e se enche de medicação somos nós, os que ficam com sequelas. Nós é que procuramos por ajuda para resolver problemas que nem eram nossos sequer.

Se não quebrarmos esse círculo, se ao menos nem tentarmos, estaremos sempre na mira do assassino. E mais tarde, seremos nós a quebrar o próximo que também não merece.

Eu gostava muito de entender, a mente de quem impinge a dor. Como começa, o que sente, o que pensa, o que leva uma pessoa a violar, a matar, a roubar, a manipular, a trair sem pensar na pessoa que dorme ao lado. Será assim fácil para eles assim como é difícil para nós viver?

E se o arrependimento matasse? Quantos deles já não estariam por cá? É possível sentir remorsos de atos horrendos?

 

Mas vamos pôr as coisas noutro sentido. E se parássemos de perguntar: porquê eu?

E se desta vez, quisermos mudar o nosso papel e usar a nossa experiência para nos enriquecermos, talvez até quebrar essa corrente que não termina.

Cada erro traz uma lição. Mas também cada dor que te foi impingida pode servir de inspiração, pode te dar forças de erguer a voz e um: Basta!

Não estou a dizer que foi correto o que te fizeram, a ti nem a ninguém. Mas qual outra forma teremos de moldar o próximo se não aprendermos um pouco?

Vamos parar de pensar nas injustiças e começar a fazer justiça por nós e pelo próximo.  

 

Como a gente se reconstrói?

 

O que é mais que certo e sabido, fácil não é. Nunca vai ser.

Mas a partir do momento que assumes que a culpa não foi tua, que infelizmente tiveste que ser tu a sofrer com tudo e mais alguma merda que foi possível, vais pôr-te num patamar que nem todos conseguem lá chegar. Só isso é uma vitória.

Então quando estiveres pronta, e tu vais saber quando o estarás, usas tudo o que passaste e tudo o que aprendeste até agora para te moldares na melhor versão que Deus criou.

É preciso que te entendas e te aceites. Acabou, já passou. E a lei da vida é seguir em frente. Cada pessoa no seu devido lugar. Não é fácil, as vezes cortar ligações com pessoas que não te deram valor não é ser cruel. É pores-te em primeiro lugar, a tua saúde é a tua prioridade.

Porque quem te magoou não pensou duas vezes, então para quê te prenderes a elas? Esquece, respeita-te e ganha a coragem de as enfrentarem quando te cobrarem.

Ergue a cabeça, respira fundo e vai à tua vida.

O ensinamento que isso te deu, foi não quebrares o próximo da mesma maneira que fizeram contigo. As palavras que te magoaram, as pancadas e as traições servem para que dês valor as pessoas que merecem. Vais aprender a ser seletiva e a compreender que o perdão só o deves dar a quem se mostra arrependido e te prova que é capaz de mudar.

Tudo o resto vai acabar por se encaixar. A vida segue o seu rumo, com altos e baixos. Ninguém é perfeito, eu também não. Muito menos o vizinho do lado.

 

domingo, 29 de outubro de 2023

A depressão, a Dor e a Morte

 

Desde nova que penso nisso. Ou pensava, ou ainda penso. Ainda não sei.

O que me fazia ponderar o suicídio?

Sempre que as coisas pioravam para mim, a minha única saída seria morrer. Ao recordar aqueles tempos, eu ainda compreendo o porquê de achar que seria a solução. Todos conseguem aconselhar, e falar vai ser sempre mais fácil do que agir. Só por quem lá passa é que sabe.

É que sabe o que é desejar morrer na hora daquele toque indesejável, congelar e esperar que acabe rápido e que não seja pior que da última vez que ele cá veio tirar o seu prazer e acabar com os meus sonhos de um conto de fadas.

É que sabe o que é ser humilhada pelos próprios da casa e esconder uma depressão para que esta não seja mais um motivo de risota.

Para falar mesmo a verdade, eu ainda pondero.

 

Estou a caminho de fazer dois anos que tomo antidepressivos. O que impede de deixar é sempre a mesma pergunta que a médica me faz: Serei eu capaz de fazer frente a uma situação tão horrenda que não acabe comigo a cometer o que toda a vida pensei em fazer?

A medicação impede-me de ir aos extremos e acalma-me. Digo que quero deixar, mas face a situações recentes, talvez não seja a hora.

Eu tenho um humor muito negro, capaz de pôr pessoas assustadas e chocadas. A mim não me assusta, a ideia de morrer não me assusta.

Eu gosto de viver, eu adoro a vida que tenho, mas uma parte escondida pondera.

Naqueles tempos, escondi medicação para tomar quando chegasse a hora de ir. Quando achasse que não havia mais saída.

Agora essa medicação anda comigo todos os dias.

A dor, aquela que não se sente mas está lá nos meus olhos, continua adormecida. Se eu quero morrer neste momento exato? Não. Mas toda a hora carrego essa questão.  

Depressão é mesmo assim, é ver que estamos bem e nunca achar que estamos doentes. Olhas para mim e vês que eu ainda estou lá, na normalidade dos dias humanos. E volto a dizer, só quem por lá passa é que sabe. E chegar ao dia em que eu já lá não estou e ficas a perguntar o que raio não viste, o que raio faz uma pessoa cometer suicídio se tudo parecia bem.

E lá esta, tudo parecia bem.

E vamos culpar quem? Tu, que não viste nem sabias de nada? Claro que não.

A mim? Que suportei e aguentei até ao limite? Muito menos a mim.

Vamos culpar os monstros debaixo da cama. Os monstros que se escondem nos armários e que de noite atormentam. Vamos culpar a mão que insistiu em te bater. Vamos culpar a boca que adorou insultar-te. Humilhar-te, espancar-te até quase te matar.

Eles aceitam a culpa? Não. Na boca deles, nada fizeram.

Eu preciso que eles admitam, que digam da mesma maneira que adoram mostrar a cara ao mundo como se fossem muito bonitos e dignos de respeito.

Mas não o fazem e nunca o vão fazer.

Uma nota para vocês: O que plantaste é o que estás a colher neste momento.

Tantas vezes digo isso, e nunca foi tão verdade.

 

A dor que eu carrego hoje teve raízes vindas de muitas direções, aos poucos eu vou cortando. E eu, sendo eu, vou cortando até que lhes doa na alma.

Eu vou aprendendo que, se antes não houve compaixão, então eu não lhes devo nada. A minha vida segue em frente, sempre com a questão aos ombros.

Uma questão que ainda não tenho a resposta, a morte ainda espreita e seduz.

 

A depressão é aquela que se esconde, nos cantinhos da sombra. A sombra escura capaz de ser camuflada. A pontinha da escuridão que te toca no ombro quando escondes uma lágrima. E quando dás por ti, a sombra é a tua melhor amiga, a tua única companhia. E tira tudo de ti, tudo.

terça-feira, 27 de junho de 2023

As escolhas de hoje, serão as consequências de amanhã

 

Quem mais julga, é quem mais deve dar a mão.

No meu caso foi assim. Sempre que eu mais precisei, os mais chegados eram os mais cruéis.

Como criança, fui tratada sempre como saco de pancada. Atenção, nem sempre as pancadas eram físicas, e essas pancadas psicológicas eram as que doíam mais.

A desculpa que eles dão para o fato de ser uma chorona é esta: sou sensível.  Sim, e é verdade, mas é a desculpa que eles dão pelas humilhações que me fizeram passar. Ou porque eu não arrumava a casa, ou porque não lavava a loiça, ou porque eu não aguentava com um saco de compras, ou porque dizia coisas que para eles eram motivos de risota, ou porque passava demasiado tempo fechada no quarto, ou porque era eu que tinha de aguentar com tudo e mais alguma coisa porque eles sim, é que sofreram e eu não.

Ora vejamos algumas recordações:

 

“Não vales nada, és uma fraca”

“Não serves para nada”

“Sai da minha frente”

 

E esta que ouvia com frequência:

 

“Vai para o teu pai”

 

Quem mais devia dar a mão, quem mais devia entender não o fizeram. E ainda hoje é o dia em que acreditam que está tudo bem, eu sou uma mulher crescida que conquistou muita coisa. Mas não é bem assim!

Cresci com aquele sentimento de inutilidade, que não seria capaz de fazer coisas simples e que não seria nada na vida. Simplesmente tudo o que fazia estava mal ou então não era bom o suficiente. E quando estava mal vinham os sermões, e por vezes ainda gozavam comigo. Bonito, não é? Humilhar o elo mais fraco da casa. Então agora peguem lá, a minha indiferença para os vossos problemas. Não consigo sentir o que devia. E a culpa nem é minha.

A consequência disto tudo, o mal de menosprezar uma criança de tal maneira é que quando forem vocês a querer algo, não o vão ter dela. Porque seguem a vossa vidinha pensando que fizeram um bom trabalho, casar, ter filhos e jantares aqui e acolá, que tudo se esquece e fingimos que nada aconteceu. Mas e então aquelas vezes que me davam chapadas na cara só porque sim? Aquela vez que berravam comigo porque deixei cair gordura nas calças e levei tantas com força que fiquei a medo de derramar apenas água no chão? Ou quando chorava e vocês riam porque achavam piada a minha cara de choro? Ou simplesmente porque vinham cansados do trabalho e tinham de descarregar em cima de alguém…

Sou alguém, eu sou filha, irmã e esposa. Mas não sou mãe. Se Deus quiser um dia. Mas nem sempre pensei assim. Quantas vezes mostrei medo em ser mãe por não querer ser como a minha? Nunca tive espaço e coragem para amar um filho. Tudo porque o meu passado me persegue.

Ainda hoje é o dia em que qualquer coisa, qualquer defeito, faz-me desesperar por não conseguir fazer direito. Como se não fosse boa o suficiente. Então eu pego nesses sentimentos e duvido da minha capacidade de ser mãe. Fui quebrada de uma maneira desumana e estúpida.

Chegar até aqui custou bastante de mim, e graças a mim que hoje sou independente e forte o suficiente para passar por qualquer coisa. Nunca irei obrigar o meu próprio filho a passar por situações que lhe custará a sua infância. As suas escolhas. E é assim que eu espero espalhar a minha palavra: o mal só terá um fim se soubermos amar e dar amor.

Nunca se deve ridicularizar uma criança. Nunca se deve dizer a uma criança que não serve, que não vale e que não tem direitos. É uma pessoa inocente que vem ao mundo. Estais à espera que ela aprenda sozinha?

 

quarta-feira, 12 de abril de 2023

"O pôr a mão, é normal."

 

«O pôr a mão é normal.”

“O pôr a mão não tem mal nenhum.”

“Porque tu és muito bonita.”

“Eu posso fazer-te feliz, só tens que me deixar.”

 

 

De todas as vezes que chorava e implorava para ele parar, as desculpas eram sempre as mesmas. Como se fosse fácil de entender o porquê de acontecer comigo o que outro já me tinha feito. Tinha de haver um motivo para sofrer nas mãos de homens certo? Porquê eu?

 

Depois que o meu pai foi preso, os abusos por parte de outro homem começaram. Quando eu achei que ia ser livre, vi-me de novo em situações semelhantes e piores que antes. Tentava fugir sempre que podia, mas nem sempre era fácil.

Estes dias de chuva despoletaram em mim memórias dolorosas.

Perguntas que eu faço a mim mesma e eu sei bem a resposta para elas. Neguei a mim mesma durante anos que não eram abusos e só tinha que me esconder sempre que ele me procurava. Resultou? Não. Chegou a um ponto em que tive de admitir a mim mesma e aos meus mais próximos que ainda tinha muito que resolver. Na altura ainda era uma criança e os abusos duraram a maior parte da minha adolescência. Escondi o melhor que pude, para alguns eu era uma menina triste por causa do meu pai pedófilo, para outros uma tímida, e houve quem pensasse que era uma criança normal sem memorias de nada.

Quem raios pode dizer que uma criança se esquece dos abusos que sofreu? Pois é, eu ouvi essa muitas vezes. Que eu era muito nova e não me iria lembrar de nada quando crescesse.

Mas eu lembro-me, e cada vez mais me recordo de coisas que por vezes deixam-me cansada e confusa. Tenho raiva de alguns. Uma mágoa tão grande que me cega por vezes. Uma criança deve ser protegida e não atirada aos lobos. Uma criança deve ser ouvida e não mandada calar porque os adultos já têm problemas que chegue. E eu quis tanto falar e nunca me deixaram.

Tudo bem, eu falo agora. E quem não gostar de ouvir, problema deles. Porque agora eu não sou mais a menina calma que faz tudo o que outros querem, que se cala e consente quando é humilhada ou leva pancadas por derramar um pouco de azeite nas calças. Ou então, para ser mais agressiva, dura e cruel, que se deixou ser usada para o bem dos adultos ignorantes.

É tão fácil uma criança ser abusada e humilhada e ninguém dar por isso. Mas não é normal. Não é normal sofrer, seja psicologicamente ou fisicamente. O que uma criança sofre molda os seus comportamentos e escolhas no futuro. Eu passei 30 anos com ideias erradas e calada por achar que tudo era normal. Que um dia iria passar e eu iria esquecer.

Não passa e não se esquece.

Então nunca digam a uma criança que ela é nova demais e que vai esquecer. Porque no futuro quando ela se lembrar, o karma acontece e vai cuspir na cara daqueles que a ignoraram e punir a mão que lhe bateu.   

 

 

terça-feira, 14 de março de 2023

Escrever tem os seus benefícios, leiam só

 

Sabem aqueles dias em que tudo corre tão bem, em que melhor não podias estar e mesmo assim estás deprimida?

Tenho tudo no seu devido lugar, a colecionar sucessos e cada vez mais a evoluir para a melhor versão de mim. Ainda assim sinto-me doente sem estar de verdade. Sem força nos braços e sem noção do que me apetece no momento. É apenas um dia deprimido eu sei, mas são estes dias que me dão medo. Medo de cair doente novamente, sem chão, sem forças, sem nada.

Quando penso nos meses horríveis que passei, tenho a certeza que estou longe de passar pelo mesmo. Mas só essas lembranças deixam-me assim, com pavor de voltar atras. Não tenho motivos que me façam cair, mas nunca precisamos deles para ir abaixo. As vezes nem nós próprios conseguimos explicar o porquê, é como se uma sombra negra vai-se aproximando e quando damos conta já nada faz sentido.

Hoje eu estou que nem sei!

Inspirada para escrever, cansada para pensar. Bem para trabalhar, mal para me levantar. Com os olhos de ver, incapaz de enxergar.

Enfim, vá-se la saber o que se passa na minha cabeça. Quando eu me decifrar, terei descoberto o sentido de tudo. Até lá, nutella e Netflix!

 

Este foi um post muito esquisito, tal como eu. Mas serviu para aliviar um pouco a tensão da minha cabeça. Lembrei-me agora de um poema que escrevi já faz uns valentes aninhos. E ele começava assim:

 

“Sinto vontade de brincar com as palavras,

Deambular por linhas ausentes e inventar histórias sem dramas,

Sinto vontade de criar uma personagem sem lágrimas

E declarar-lhe poemas sem páginas machadas”

 

Sim, depois de tantos anos essa personagem sou eu, que vivo sem dramas e com os pés assentes no chão. Caramba, que vontade de ser poetisa!

Agora eu sou a personagem principal de uma história como eu sempre quis. Com os meus cabelos ao sol, a escrever para mim e de mim. E não é que eu sou qualquer coisa de especial?!

O resto do poema eu já não me consigo lembrar, mas não penso em reescrever, pois de certeza que foi um dos melhores que já escrevi. Penso que farei um novo, com rima ou com rímel vermelho quem sabe!

Ou então de uma cor que não seja avermelhada, talvez encarnada…. Escarlate!

 

A Pérola

  Existe uma pérola no fundo do mar, Entre marés e tempestades ela vai ficando sem ar, Há quem diga que quando este poema acabar Ela vai mor...