Eu nem sei por onde começar. Foram 39 semanas de
gravidez, seguido de tentativas de parto normal falhadas e acabou com uma
cesariana de urgência.
Sabem
aqueles filmes em que ela toda linda, puxa por dois ou três minutos e bum, temos
bebé? Pois, não foi nada assim. Nada é como nos filmes, absolutamente nada.
Eu sofri,
mesmo com epidural, que não fez o seu trabalho como devia, ainda puxei por mais
de três horas sem um fim a vista. Quando finalmente viram que estava exausta,
decidiram que a cesariana era a melhor solução. O bebé estava numa posição complicada,
então nunca seria possível um parto normal.
Foi uma
gravidez desejada com efeitos secundários dolorosos.
Devido a
problemas de tensões, fiquei em repouso logo de início. Tudo bem, acontece.
Foram semanas
sem saber o que fazer, uma simples caminhada tornava-se num pesadelo ao fim do
dia. Acabei em risco de parto prematuro. As 39 semanas, eles decidiram que não podia
esperar mais e arriscaram com a provocação do parto. No fim, todo o sofrimento
compensou.
O Matias
nasceu a 25 de setembro, as 5:29 da madrugada. 49cm e 2,970kg.
Perfeitinho,
saudável e lindo.
Não é
por ser meu, mas é um bebé tão lindo que derrete qualquer pessoa.
Logo no
primeiro mês de vida percebi que vai ter um caracter forte, é o que faz ter um
pai e uma mãe de personalidades complicadas. Vem aí um guerreiro!
Estas
noites sem dormir, estas refeições não acabadas e o meu cabelo bagunçado, são apenas
parte de algo que nunca pensei que fosse adorar. O meu mundo está neste ser
pequenino tão doce que nem me imagino noutra vida.
Basta um
sorriso, e eu fico completamente K.O.
Esta experiência de ser mãe pela primeira vez
é como se perdesse tudo, mas ao mesmo tempo ganhei algo que nunca pensei ter. Eu
tenho o mundo nos meus braços.
Todo
aquele tempo para mim, as minhas horas de sono perdidas e aquele silêncio na casa
que já não existe mais, não me incomoda nem um pouco. Claro que, sair para jantar
e relaxar um pouco fazem-me falta. Mas não podemos ter tudo certo?
Por um
lado, o que me faz falta por vezes deixa-me frustrada, mas por outro, quero lá
saber!
No fim,
somos as supermães que nunca tivemos e as mulheres que suportam tudo de cabeça
erguida.
Ainda assim, incompreendidas pela sociedade.
Temos um
papel a desempenhar, nada mais. É surpreendente, como nos tempos em que vivemos
ainda existem mentes pequeninas que vêm a mulher ainda sem voto. A mulher trabalha,
cuida da casa, cozinha e educa os filhos. O marido, trabalha, acima disso
trabalha mais um pouco e no fim vai relaxar mais os amigos.
Quando é
que nós, mulheres e mães, podemos relaxar com as amigas até as 2h da manhã
despreocupadas com quem precisa de nós? Porque, até que podemos, nada nos
impede. Mas ninguém conhece os nossos filhos tão bem como nós. E deixá-los
assim, mesmo que por algumas horas, é sentir que temos o coração nas mãos.
E ainda
me dizem: é tão difícil ser homem!
Sim, também
é verdade. O homem nasceu na sociedade como aquele que sustenta casa, que
financeiramente arranja solução para tudo e vive com o peso nas costas de que,
se a casa não se mantém, então temos um falhado á vista.
Perder a
masculinidade não deve ser fácil, mas isso não é desculpa para diminuir o papel
da mulher.
Porque a
gente faz o que nos compete e ainda ficamos em casa a espera de quem nunca
chega. Para no fim ouvirmos que quem trabalha muito merece relaxar nem que seja
por meia hora.
Onde está
o nosso tempo de relaxar então? Está naquele minuto em que podemos ir a casa de
banho? Está naquela pausa de dois minutos em que podemos tomar um cafezinho da
nossa máquina Nespresso? Ou quando ele finalmente adormece e podemos ler um pouco
daquele capítulo daquele romance que ainda vai a meio e, por razoes que só a
nós compete, nunca teremos oportunidade de acabar porque o cansaço é mais forte
e adormecemos para no dia seguinte repetirmos tudo de novo?
Não,
longe de mim questionar a liberdade e o esforço masculino desta sociedade tão
pequena!
Podíamos
ser grandes, e não valemos nenhum!
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