domingo, 24 de março de 2024

Quantas formas existem de quebrar uma pessoa?

 

De quantas formas, de quantas maneiras e qual o limite de quebrar uma pessoa?

De alguém que já passou por tudo e mais alguma coisa, costumo pensar que já não há nada que me possam fazer para me despedaçar mais ainda.

Desde os que me fizeram mal por maldade até aqueles que supostamente nunca deveriam meter-me numa posição que não merecia.

Porque quem te faz mal, não pensa nas consequências nem no sofrimento que te causa. Somos todos egoístas, uma verdade que até a mim custa encarar.

A vida é um círculo. Tudo o que vai, volta. Quem planta, colhe. E muitas vezes colhe o dobro do mal que fez.

E depois de tudo, quem fica para fazer terapias e se enche de medicação somos nós, os que ficam com sequelas. Nós é que procuramos por ajuda para resolver problemas que nem eram nossos sequer.

Se não quebrarmos esse círculo, se ao menos nem tentarmos, estaremos sempre na mira do assassino. E mais tarde, seremos nós a quebrar o próximo que também não merece.

Eu gostava muito de entender, a mente de quem impinge a dor. Como começa, o que sente, o que pensa, o que leva uma pessoa a violar, a matar, a roubar, a manipular, a trair sem pensar na pessoa que dorme ao lado. Será assim fácil para eles assim como é difícil para nós viver?

E se o arrependimento matasse? Quantos deles já não estariam por cá? É possível sentir remorsos de atos horrendos?

 

Mas vamos pôr as coisas noutro sentido. E se parássemos de perguntar: porquê eu?

E se desta vez, quisermos mudar o nosso papel e usar a nossa experiência para nos enriquecermos, talvez até quebrar essa corrente que não termina.

Cada erro traz uma lição. Mas também cada dor que te foi impingida pode servir de inspiração, pode te dar forças de erguer a voz e um: Basta!

Não estou a dizer que foi correto o que te fizeram, a ti nem a ninguém. Mas qual outra forma teremos de moldar o próximo se não aprendermos um pouco?

Vamos parar de pensar nas injustiças e começar a fazer justiça por nós e pelo próximo.  

 

Como a gente se reconstrói?

 

O que é mais que certo e sabido, fácil não é. Nunca vai ser.

Mas a partir do momento que assumes que a culpa não foi tua, que infelizmente tiveste que ser tu a sofrer com tudo e mais alguma merda que foi possível, vais pôr-te num patamar que nem todos conseguem lá chegar. Só isso é uma vitória.

Então quando estiveres pronta, e tu vais saber quando o estarás, usas tudo o que passaste e tudo o que aprendeste até agora para te moldares na melhor versão que Deus criou.

É preciso que te entendas e te aceites. Acabou, já passou. E a lei da vida é seguir em frente. Cada pessoa no seu devido lugar. Não é fácil, as vezes cortar ligações com pessoas que não te deram valor não é ser cruel. É pores-te em primeiro lugar, a tua saúde é a tua prioridade.

Porque quem te magoou não pensou duas vezes, então para quê te prenderes a elas? Esquece, respeita-te e ganha a coragem de as enfrentarem quando te cobrarem.

Ergue a cabeça, respira fundo e vai à tua vida.

O ensinamento que isso te deu, foi não quebrares o próximo da mesma maneira que fizeram contigo. As palavras que te magoaram, as pancadas e as traições servem para que dês valor as pessoas que merecem. Vais aprender a ser seletiva e a compreender que o perdão só o deves dar a quem se mostra arrependido e te prova que é capaz de mudar.

Tudo o resto vai acabar por se encaixar. A vida segue o seu rumo, com altos e baixos. Ninguém é perfeito, eu também não. Muito menos o vizinho do lado.

 

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