De quantas formas, de quantas maneiras e qual o limite de quebrar uma
pessoa?
De alguém que já passou
por tudo e mais alguma coisa, costumo pensar que já não há nada que me possam
fazer para me despedaçar mais ainda.
Desde os que me fizeram
mal por maldade até aqueles que supostamente nunca deveriam meter-me numa
posição que não merecia.
Porque quem te faz mal, não
pensa nas consequências nem no sofrimento que te causa. Somos todos egoístas,
uma verdade que até a mim custa encarar.
A vida é um círculo. Tudo
o que vai, volta. Quem planta, colhe. E muitas vezes colhe o dobro do mal que
fez.
E depois de tudo, quem
fica para fazer terapias e se enche de medicação somos nós, os que ficam com
sequelas. Nós é que procuramos por ajuda para resolver problemas que nem eram
nossos sequer.
Se não quebrarmos esse círculo,
se ao menos nem tentarmos, estaremos sempre na mira do assassino. E mais tarde,
seremos nós a quebrar o próximo que também não merece.
Eu gostava muito de
entender, a mente de quem impinge a dor. Como começa, o que sente, o que pensa,
o que leva uma pessoa a violar, a matar, a roubar, a manipular, a trair sem
pensar na pessoa que dorme ao lado. Será assim fácil para eles assim como é difícil
para nós viver?
E se o arrependimento
matasse? Quantos deles já não estariam por cá? É possível sentir remorsos de
atos horrendos?
Mas vamos pôr as coisas
noutro sentido. E se parássemos de perguntar: porquê eu?
E se desta vez, quisermos
mudar o nosso papel e usar a nossa experiência para nos enriquecermos, talvez
até quebrar essa corrente que não termina.
Cada erro traz uma lição.
Mas também cada dor que te foi impingida pode servir de inspiração, pode te dar
forças de erguer a voz e um: Basta!
Não estou a dizer que foi
correto o que te fizeram, a ti nem a ninguém. Mas qual outra forma teremos de
moldar o próximo se não aprendermos um pouco?
Vamos parar de pensar nas
injustiças e começar a fazer justiça por nós e pelo próximo.
Como a gente se reconstrói?
O que é mais que certo e
sabido, fácil não é. Nunca vai ser.
Mas a partir do momento
que assumes que a culpa não foi tua, que infelizmente tiveste que ser tu a sofrer
com tudo e mais alguma merda que foi possível, vais pôr-te num patamar que nem
todos conseguem lá chegar. Só isso é uma vitória.
Então quando estiveres
pronta, e tu vais saber quando o estarás, usas tudo o que passaste e tudo o que
aprendeste até agora para te moldares na melhor versão que Deus criou.
É preciso que te entendas
e te aceites. Acabou, já passou. E a lei da vida é seguir em frente. Cada pessoa
no seu devido lugar. Não é fácil, as vezes cortar ligações com pessoas que não te
deram valor não é ser cruel. É pores-te em primeiro lugar, a tua saúde é a tua
prioridade.
Porque quem te magoou não
pensou duas vezes, então para quê te prenderes a elas? Esquece, respeita-te e ganha
a coragem de as enfrentarem quando te cobrarem.
Ergue a cabeça, respira
fundo e vai à tua vida.
O ensinamento que isso te
deu, foi não quebrares o próximo da mesma maneira que fizeram contigo. As palavras
que te magoaram, as pancadas e as traições servem para que dês valor as pessoas
que merecem. Vais aprender a ser seletiva e a compreender que o perdão só o
deves dar a quem se mostra arrependido e te prova que é capaz de mudar.
Tudo o resto vai acabar
por se encaixar. A vida segue o seu rumo, com altos e baixos. Ninguém é perfeito,
eu também não. Muito menos o vizinho do lado.