domingo, 15 de janeiro de 2023

Rouge, red, vemelho, rojo...

 

O vermelho vem do sangue das minhas feridas cicatrizadas, da paixão que ganhei pela vida, da sedução que o meu olhar carrega.

O vermelho sempre foi a minha cor, identifico-me. Sou ousada, corajosa e brava. Explosiva.

O meu cabelo é talvez o que mais cuido em mim, sempre tive cabelos fortes e ondulados, cheios de vida. De cabelos castanhos optei pelo vermelho, que faz contraste com a minha pele clara e os meus olhos castanhos. E quando passo em qualquer lugar, toda a gente o admira. Podemos dizer que oi meu cabelo é a derradeira afirmação de que Eu Estou Aqui.

A maneira como nos apresentamos fisicamente é a primeira impressão que passamos ao mundo. Sempre que pensarem em ti é assim que te vão imaginar.

 

Mas isso importa?

Não.

O que importa é a maneira como te vês, como te queres imaginar a ti própria dentro e fora de casa. O que és de ti própria é o que vai chamar a atenção dos que te rodeiam. Se fores verdadeira contigo vais marcar presença em qualquer lado. Mas cuidado, ser verdadeira também vai fazer com conheças pessoas que te façam questionar essa tua maneira de ser, interrogares-te muitas vezes dessa tua segurança e confiança em ti mesma.

O vermelho do meu cabelo grita ao mundo que a minha timidez se foi, que a minha coragem se expande na minha personalidade, e hoje sou assim, destemida. Venha quem vier, o que eu sou ninguém me consegue negar. Não deixo ninguém mexer, e hei de crescer ainda mais e aprender muito mais.

Meses atrás, caí numa depressão que me fez tombar verdadeiramente doente, nunca pensei que fosse possível ficar tão mal, mas fiquei. E desengane-se quem pensa que isto é fácil de superar e que em dois ou três dias vai tudo ao sítio.

Todos os dias de manhã acordava com apenas um pensamento: matar-me. Não queria mais viver, não via nada que me segurasse. Tudo o que eu tinha já não era o suficiente para me prender a vida.

Ainda assim eu não estava pronta para desistir. Tentei seguir em frente sozinha, sem falar com ninguém, procurei soluções sem ter que falar com alguém. Não deu certo, piorei e fiquei completamente desgastada. Cansada. Exausta. Acabada. E o meu cérebro desligou. Foi preciso um reset.

Foram meses de luta, desisti dos meus trabalhos e fiquei em casa. Medicamentos e apoio psicológico.

Sabem do que mais me dei conta?

Do chocante que é a minha história. Do sofrimento que eu silenciei pelo bem dos outros, de quem não merecia. E mesmo se o merecessem, nunca deveríamos sentir a necessidade de ficarmos calados. Tu és a tua prioridade. Ninguém vai deixar de viver a sua vida para que tu possas viver a tua, e eu, deixei o meu sorriso ir-se para que outros não precisassem de se incomodar comigo. Sim, ainda é algo que me revolta, a ingratidão e a ignorância.

Mas e depois? A minha vida continua a seguir em frente.

O que outros não deram valor, hoje tenho pessoas que me fazem imensamente feliz e sou satisfeita comigo mesma. Eu, faço por mim. Eu, faço pelo marido que nunca que me abandonou, e por aqueles que contribuem para os meus dias coloridos.

 

A Pérola

  Existe uma pérola no fundo do mar, Entre marés e tempestades ela vai ficando sem ar, Há quem diga que quando este poema acabar Ela vai mor...