O vermelho vem do sangue das
minhas feridas cicatrizadas, da paixão que ganhei pela vida, da sedução que o
meu olhar carrega.
O vermelho sempre foi a minha cor, identifico-me. Sou
ousada, corajosa e brava. Explosiva.
O meu cabelo é talvez o que mais cuido em mim, sempre
tive cabelos fortes e ondulados, cheios de vida. De cabelos castanhos optei
pelo vermelho, que faz contraste com a minha pele clara e os meus olhos
castanhos. E quando passo em qualquer lugar, toda a gente o admira. Podemos
dizer que oi meu cabelo é a derradeira afirmação de que Eu Estou Aqui.
A maneira como nos apresentamos fisicamente é a primeira impressão
que passamos ao mundo. Sempre que pensarem em ti é assim que te vão imaginar.
Mas isso importa?
Não.
O que importa é a
maneira como te vês, como te queres imaginar a ti própria dentro e fora de
casa. O que és de ti própria é o que vai chamar a atenção dos que te rodeiam.
Se fores verdadeira contigo vais marcar presença em qualquer lado. Mas cuidado,
ser verdadeira também vai fazer com conheças pessoas que te façam questionar
essa tua maneira de ser, interrogares-te muitas vezes dessa tua segurança e
confiança em ti mesma.
O vermelho do meu cabelo
grita ao mundo que a minha timidez se foi, que a minha coragem se expande na
minha personalidade, e hoje sou assim, destemida. Venha quem vier, o que eu sou
ninguém me consegue negar. Não deixo ninguém mexer, e hei de crescer ainda mais
e aprender muito mais.
Meses atrás, caí numa
depressão que me fez tombar verdadeiramente doente, nunca pensei que fosse
possível ficar tão mal, mas fiquei. E desengane-se quem pensa que isto é fácil
de superar e que em dois ou três dias vai tudo ao sítio.
Todos os dias de manhã
acordava com apenas um pensamento: matar-me. Não queria mais viver, não via
nada que me segurasse. Tudo o que eu tinha já não era o suficiente para me
prender a vida.
Ainda assim eu não
estava pronta para desistir. Tentei seguir em frente sozinha, sem falar com
ninguém, procurei soluções sem ter que falar com alguém. Não deu certo, piorei
e fiquei completamente desgastada. Cansada. Exausta. Acabada. E o meu cérebro
desligou. Foi preciso um reset.
Foram meses de luta, desisti
dos meus trabalhos e fiquei em casa. Medicamentos e apoio psicológico.
Sabem do que mais me dei
conta?
Do chocante que é a
minha história. Do sofrimento que eu silenciei pelo bem dos outros, de quem não
merecia. E mesmo se o merecessem, nunca deveríamos sentir a necessidade de
ficarmos calados. Tu és a tua prioridade. Ninguém vai deixar de viver a sua
vida para que tu possas viver a tua, e eu, deixei o meu sorriso ir-se para que
outros não precisassem de se incomodar comigo. Sim, ainda é algo que me
revolta, a ingratidão e a ignorância.
Mas e depois? A minha
vida continua a seguir em frente.
O que outros não deram
valor, hoje tenho pessoas que me fazem imensamente feliz e sou satisfeita
comigo mesma. Eu, faço por mim. Eu, faço pelo marido que nunca que me
abandonou, e por aqueles que contribuem para os meus dias coloridos.
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